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Pulinho em Heidelberg

6 de novembro de 2011

Comecei minha maratona de visitar um cidade alemã por final de semana. Como tenho só mais 4 meses aqui (credo, como passa rápido!), vou ter que me apressar se quiser conhecer bem pelo menos o país que me recebeu. A primeira cidade foi Darmstadt, onde mora o meu amigo politreco Gustavo. Ele falou tanto de Heidelberg pra mim e pra Karin (pra quem não sabe, minha amiga ecana em Frankfurt) que a gente decidiu ir logo pra lá. Além de nós três, chamei a Gabriela (uma feana querida que foi uma ótima surpresa de Frankfurt) e partimos pra conhecer a famosa cidade.

Amigos brasileiros passeando em Heidelberg

O Gustavo deu a idéia genial de levarmos as nossas bicicletas no trem pra poder andar mais rápido pela cidade. Não é a primeira vez que eu conheço uma cidade de bicicleta, e recomendo fortemente para quem visita a Alemanha, porque as cidades em geral são planas.

A vista de cima do castelo

Nossas magrelas descansando

Heidelberg é uma cidade realmente linda. Lá fica a universidade mais antiga da Alemanha e um castelo muito famoso na região. O campus da universidade ocupa uma área muito grande da cidade, por isso ela é bem internacional e amistosa, apesar de ser pequenina. Nas ruas do centro velho e na beira do rio sempre têm jovens jogando conversa fora em muitas línguas.

Já o castelo é bem destacado na paisagem da cidade. E a visão de cima dele é de tirar o fôlego. Assim como muitos castelos na Alemanha, ele reúne a história de diversas épocas da cidade e é muito bem conservado. Entrar nele fez eu me sentir em uma paisagem de filme medieval.

Pra terminar o dia, subimos a Philosophenweg, o caminho dos filósofos de Heidelberg. É um parque vertical que fica em um morro do outro lado da margem do rio, que dá vista pro centro velho da cidade e pro castelo. Como era sábado, estava cheio de moradores da cidade, que curtem subir no parque pra ficar jogando conversa fora, fazendo picnic, namorando…

A vista do Philosophenweg - olha o castelo ali no alto!

Heidelberg é uma boa sugestão de cidade pra quem quiser ter uma amostra de uma cidade pequena alemã cheia de características típicas, e sair um pouco do roteiro Berlin-Hamburgo-Munique.

Diskutieren – vamos aprender?

6 de novembro de 2011

Em alguma das aulas de alemão, uma professora comentou comigo que a definição do termo ‘diskutieren’ passa longe da que nós, brasileiros, damos para o verbo ‘discutir’, que seria sua tradução literal. Quando se fala que duas ou mais pessoas discutiram, em português, logo se imagina uma briga homérica ou uma troca de palavras ríspidas, que tende a magoar uma das partes ou deixá-la insatisfeita. Pois bem, esse é o sentido da discussão sem troca de idéias, em que alguém discute simplesmente para provar que a sua opinião é melhor do que a outra.

No alemão, ‘diskutieren’ é o verbo que define a troca de diferentes idéias, opiniões e aspectos de algum tema, em uma conversa relativamente longa. Ou seja – discussões envolvem paciência, tolerância e tendem a acrescentar novos pontos de vista para as partes envolvidas.

Um dos clichês comuns sobre os alemães é a idéia de que eles sejam ríspidos e que briguem toda vez que falam alto. Ok, esse é um estereótipo equivocado. Na realidade, a característica mais forte desse povo é a objetividade. Alemães não têm meias-palavras, porque acreditam que as verdades têm que ser dita e as idéias, expostas. Mesmo que isso não seja tão bem recebido pelo interlocutor.

Essa semana passei por um situação que exemplifica bem isso. Fui comprar um detergente no mercado e enquanto segurava o frasco de ponta-cabeça, não percebi que estava derramando detergente pelo chão da loja. Um minuto depois, um velhinho me parou e me alertou sobre isso e ficou apontando para o detergente. Se eu não tivesse acostumada, acharia que ele estava me dando uma bronca por uma coisa que estava fazendo sem querer. Mas na verdade, ele só estava falando o que achou que deveria ser dito – para que eu não melecasse mais o chão do mercado.

E o que isso tem a ver com a discussão? Bom, da mesma forma como as coisas têm que ser ditas independentemente do seu grau de intimidade com a pessoa e do quanto aquilo vai interferir na sua própria vida, as opiniões existem para serem divididas – mesmo que todos discordem de você. Por isso que a discussão é praticamente um ritual que ajuda a nos tornar pessoas melhores e nos tira da ignorância e da unilateralidade.

Nas disciplinas que eu faço na universidade aqui, todas as aulas têm discussão dos textos e debates sobre as idéias colocadas pelos teóricos. Quem conduz as discussões são os próprios alunos – e nós somos avaliados a partir da nossa participação nelas. Muitas vezes, o aluno que apresenta um seminário tem que se colocar no lugar de um autor e argumentar em prol da sua teoria, e rebater todas as críticas e questionamentos feitos pelo resto da sala, mesmo que ele pessoalmente não concorde com essas idéias. Todo mundo coloca sua opinião, e geralmente a discussão não tem uma conclusão, as idéias são trocadas apenas para ampliar a visão sobre o tema. E no final da aula, todo mundo dá batidinhas na mesa (a forma alemã de bater palmas no ambiente acadêmico), cumprimenta-se normalmente e vai embora.

Em uma discussão realmente aberta e enriquecedora, ninguém é tachado pelas opiniões que apresenta ou pelos argumentos que defende. Até porque isso não define caráter ou personalidade de ninguém. Ao expor uma idéia, o aluno mostra o que está pensando naquele momento, de acordo com algum papel que assume. Na próxima aula, depois de discutido outras coisas ou de ter lido outras teorias, ele pode simplesmente mudar de idéia e assumir outro papel. E não, ele não será chamado de ‘vira-casaca’ por isso.

Enquanto isso, do outro lado do Oceano Atlântico, fico decepcionada ao perceber que a minha própria universidade não é um ambiente tão aberto a discussão como deveria ser. E que qualquer opinião mal-colocada pode te jogar num limbo de tachações que se dizem ideológicas ou simplesmente te descartar da esfera de discussão. Se é que ela existe de verdade, né?

Oktoberfest em München

26 de outubro de 2011

A Oktoberfest é uma festa que sempre me despertou muita curiosidade, mesmo quando eu estava no Brasil. Eu queria conhecer, nem que fosse a que acontece em Blumenau! Lógico que, morando na Alemanha durante o segundo semestre, senti-me na obrigação de participar da maior e mais famosa festa popular alemã. E pra minha surpresa, descobri que ela não passa de uma festa tradicional e muito família – e não chega nem perto da fama de micareta-carnaval alemão que carrega.

A AVENTURA

Na verdade, existem Oktoberfests espalhadas por várias cidades alemãs. Mas são apenas tentativas, porque a festa original tem que ser promovida pelo povo de Bayern. Isso é o que dá mais graça!

Ok, eu estava decidida a ir até München conhecer a Oktoberfest. Mas eu estou em Frankfurt, a pelo menos 400 quilômetros de distância. E achar hospedagem a um preço razoável era impossível. Então juntei mais 5 amigos intercambistas que tinham a mesma curiosidade que eu e decidimos fazer um bate-volta de trem.

A idéia era sair de Frankfurt num sábado à noite, chegar lá no domingo de manhã e voltar só no domingo à noite. Assim, dormiríamos no trem e não gastaríamos com hospedagem. A vantagem de ir em grupo é que a empresa nacional de trem oferece passagens especiais no fim de semana que podem ser usadas por até 5 pessoas, a 39 euros. Mas a desvantagem dessa passagem é só poder usar os trens regionais que são mais lentos, e ter que fazer até cinco baldeações.

A prova de que estávamos lá!

No nosso caso, tivemos que fazer duas baldeações, sendo que a segundo era de quatro horas e meia em Nuremberg, durante a madrugada. Aproveitamos esse período pra fazer um night-tour pelo centro da cidade. Não conseguimos tirar nenhuma foto porque estava muito escuro, nem entrar em nenhuma igreja ou museu (eles não costumam abrir de madrugada, dã!), mas deu pra conhecer bastante sobre a história da cidade.

O legal desse ‘rolê errado’ é que praticamente todo mundo que estava nos trens teve a mesma idéia de fazer um bate-volta em München. E já dava pra sentir o clima de festa – o pessoal com trajes típicos, bebendo muita cerveja dentro dos vagões e cantando músicas bem alto, pra ninguém dormir – durante a viagem.

Chegamos em München às 6h45 da manhã, e seguimos o fluxo de alemães em direção ao Theresienwiese, onde acontece a Oktoberfest, pra conseguir um lugar legal dentro das tendas. A volta é que foi complicada – estávamos moídos e pegamos os últimos trens do domingo, que vieram lotados. Mas o esforço valeu a pena!

OKTOBERFEST – O QUE É, COMO FUNCIONA?

A história da Oktoberfest é um tanto quanto romântica. No dia 12 de Outubro de 1810, o rei Ludwig I casou-se com a princesa Theresien e fez uma festança, para a qual convidou todos os moradores de Bayern, o estado onde fica a cidade de München. A festa aconteceu num campo gigante, que fica em frente à entrada principal da cidade. Esse campo então passou a ser chamado de Theresienwiese, e a família real decidiu que a festa se repetiria todos os anos.

Em 200 anos de história, a festa cresceu e se tornou um símbolo da vida dos bavários. E, apesar de ter o nome Oktoberfest, ela acontece oficialmente nas últimas semanas de Setembro, pra coincidir com a chegada do Outono (que é uma estação muito festejada na Alemanha).

Os bavários são conhecidos como o povo mais ‘bairrista’ daqui. Eles têm um dialeto próprio dificílimo de entender, o Bayerisch, e falam de Bayern como se fosse um país separado da Alemanha. E na Oktoberfest eles mostram do que Bayern é feito.

Em primeiro lugar, absolutamente TODOS os locais vão a Oktoberfest trajados tipicamente. As mulheres usam vestidos decotados, saltos altos, muita maquiagem e penteados elaborados no cabelo. E os homens usam calças curtas com camisas listradas e suspensórios. Deu pra perceber que o pessoal se arrumava mesmo uns pros outros, principalmente os jovens. Assim como nós, brasileiros, nos montamos pra festas de formatura, Carnaval; a hora dos bavários de brilhar é a Oktoberfest!

Os trajes típicos de Bayern

Posso dizer que o povo de Bayern é uma versão ‘gone bad’ dos alemães. Ao contrário do resto dos alemães que eu conheci, eles gostam de falar alto, são meio broncos e não muito dóceis, especialmente os de München. Não respeitam muito filas, regras, enfim, muito diferente do estereótipo alemão. Além disso, as mulheres bavárias são famosas por ter um padrão de beleza mais ‘recheado’. Reza a lenda que é por causa das curvas a mais que elas dão conta de carregar 10 canecas de uma vez…

E como não poderia faltar em uma festa em Bayern, para acompanhar a cerveja (e não o contrário), muita comida típica. As principais, na minha opinião, são o Brezel, pão em forma de rosquinha; a Weisswurst, que é uma salsicha branca temperada; e o clássico Einsbein (ou Surhaxe, Grillhaxe, tem vários nomes…), joelho de porco grelhado ou cozido com Sauerkraut, o injustiçado chucrute.

Degustando o joelho de porco com chucrute!

Pra adicionar glicose depois de beber litros de cerveja, tem o Lebkuchen, souvenir mais fofo da Oktoberfest. São bolos do tipo pão-de-ló em formato de coração. O gosto não tem nada de especial. O legal mesmo é que nele são escritas mensagens românticas com glacê. Uma tradição na Oktoberfest é dar um Lebkuchen para alguém como forma de se declarar, e a pessoa pendurá-lo no pescoço e sair desfilando pela festa com o bolinho. Sim, um tanto cafona, mas é legal ver essa parte doce dos bavários.

Eu pendurei um Lebkuchen no pescoço também!

O CLIMA DA FESTA

Ao contrário do que eu esperava, o que conheci foi uma festa super família. Não vi bêbados brigando pela rua ou arrumando confusão, ninguém derramando cerveja no outro. Mas isso tem uma justificativa – a cerveja só pode ser consumida dentro das tabernas. Explico: no Theresienwiese, além de zilhares de brinquedos que formam um grande parque de diversões (não sei quem tem coragem de andar num looping depois de tomar 10 litros de cerveja, mas…), existem as Bierzelten, que são tendas gigantes fechadas e montadas pelas grandes tabernas que existem em München, como a Hofbräuhaus e a Paulaner. Existe um limite de lotação nas tabernas, então pra conseguir um lugar nas mesas, é preciso chegar BEM cedo (no meu caso, cheguei às 7h30 na fila, e mesmo assim tive que correr pra conseguir uma mesa lá dentro).

Fila às oito da manhã pra entrar em uma Bierzelt

Dentro das Bierzelten, você pode ficar na mesa APENAS enquanto tiver consumindo. As garçonetes, que não são muito bem-humoradas, recolhem as canecas vazias assim que você termina de tomar e já pergunta “E aí? Mais uma?”. Isso porque são canecas de UM LITRO de cerveja. Está certo que elas são muito mais gostosas e fáceis de beber do que uma Kaiser, mas passar da segunda caneca é para os fortes. (no meu caso, não cheguei nem na primeira!)

Mesmo com a pressão pra gastar dinheiro, a festa de dentro das tabernas vale a pena. Antes de a banda tocar, a diversão eram os desafios de tomar cerveja de uma vez só. Alguns corajosos subiam nas mesas e começavam a virar a caneca. E era bom conseguir virar, porque se desistisse no meio, todo mundo atacava tampinhas de garrafa, bolinhas de papel, vaiava… O incrível era ver a quantidade de mulheres que conseguiam fazer isso. O fígado das alemãs é um objeto a ser estudado!

Depois que começa a banda, a festa anima de vez. Os alemães ficam cantando juntos músicas típicas de Bayern e brindando juntos com desconhecidos e se abraçando. É como se eles se despissem de todos os estereótipos e mostrassem pro mundo inteiro – “Olha aqui como a gente sabe fazer festa!”. E, de fato, a cerveja une muito as pessoas. Mas mais do que o álcool, o que eu acredito ser a grande ‘mágica’ da Oktoberfest é o grande esforço que os ‘Müncheners’ fazem para manter a tradição da maior festa popular deles viva.

A festa de dentro da tenda da Augustiner - isso é Oktoberfest!

Recomendo muito a Oktoberfest pra quem quer saber um pouco do que a Alemanha é feita. Daqui a uns 10 anos, quando tiver grana suficiente pra bancar uma hospedagem confortável, monto uma excursão para lá. Quem tá dentro?

Do porquê de não ter catracas

21 de outubro de 2011

No meu primeiro dia da minha primeira viagem pra Alemanha, o que me deu um grande susto (além da língua até então pouco compreensível) foi entrar em um tram sem catraca. Era verão de 2009 em Bremen, e eu tinha acabado de sair do aeroporto com uma mala pesadíssima. Entrei no bonde perdida. “Ué, cadê? Pra quem eu pago?”

Pois bem, vou explicar o lance: em muitos países da Europa (principalmente do Leste e Escandinávia) o transporte público não tem catraca nem um cobrador que pede o seu bilhete antes de entrar em um trem, por exemplo. Aqui em Frankfurt, existem máquinas que vendem os passes em todos os pontos de ônibus e tram (é uma espécie de metrô de pequeno porte, que roda no asfalto) e estações de metrô. Você seleciona a região pra onde vai naquele momento ou compra um ticket de um dia ou uma semana, e valida em uma maquininha dentro do transporte. A maioria dos moradores compra um bilhete mensal, semestral ou anual e anda ilimitadamente durante esse período. Eu, por exemplo, tenho o cartão semestral da faculdade.

“Opa, transporte público de graça, então?” Não foram poucas as pessoas que já comentaram comigo sobre o quanto já viajaram ‘de graça’ pela Europa, usando o transporte sem comprar o ticket. E exatamente por prever que muitos espertinhos usariam essa estratégia, as empresas de transporte contratam os temidos Kontrolleur, ou fiscais. Eles entram de surpresa nos transportes e fiscalizam quem está com o bilhete válido. Se não tiver, não tem desculpa – multa de 40 euros.

Eu confesso que andei duas vezes em Bremen sem um bilhete, porque achava engraçadinho. Mas aqui em Frankfurt não tive coragem de fazer isso, e não por causa do Kontrolleur, e sim porque senti uma obrigação de respeitar a minha nova cidade. Como moradora daqui, entendo que pagar pelo que eu uso é praticamente um dever cívico. É o justo, pois o metrô precisa de um maquinista, muitos mecânicos, engenheiros, que trabalham arduamente praquilo rodar. Eu também acho que seria lindo ter um transporte público 100% gratuito, mas como ele não é, não sou eu que vou inventar de burlar as regras.

Essa questão da falta de catraca me levou a pensar nos motivos que fazem a maioria dos cidadãos respeitarem as regras. E como seria legal ter um sistema assim na minha querida São Paulo. Antes de alguém levantar essa hipótese – não, eu não acho que os europeus são pessoas mais avançadas ou melhores que nós, brasileiros. Acredito que aqui exista um acordo tácito entra os cidadãos e a prestadora do serviço: a empresa oferece uma qualidade boa dos transportes, tira as catracas, deixa os cidadãos transitarem livremente pra lá e pra cá, sem ter que escolher o trajeto mais barato, e sim o mais adequado às suas necessidades. Em troca, eles respeitam o combinado e pagam pelo que andam.

Isso não significa que não há cidadãos frankfurtianos que não se aproveitem dessa ‘fragilidade’ do sistema. Mas a solução pro desrespeito às regras é o livre-arbítrio. Ao mesmo tempo em que a liberdade abre espaço pra maracutaias, ela também coage a ser correto. Tirar vantagem sobre um sistema que literalmente não cobra nada além de respeito gera um sentimento de culpa até meio católico, diria.

Pra reforçar esse acordo entre prestador de serviço e cidadãos, há cartazes em todos os vagões e ônibus com os dizeres “Alle fahren mit”. O que significa, em tradução livre – “todos andam com”. Com o ticket válido, com o transporte, com os outros, com respeito. Muitas interpretações, né? O que me faz lembrar de uma outra campanha institucional, lançada pelo metrô de São Paulo há uns dois anos. Nela, havia peças simples com os dizeres “Obrigado por respeitar o embarque preferencial”. Ora, nem todos os que liam os cartazes se identificavam com o agradecimento. Porém a intenção era justamente gerar adesão dos usuários que não respeitavam as regrinhas básicas de uso do metrô. E por que diabos alguém iria mudar de comportamento? Talvez por querer sem enquadrar nesse agradecimento…

Meu transporte favorito - não precisa de bilhete!

VIDA DESCATRACADA

A regra da falta de catraca vale pra tudo o que eu já vi aqui. Na universidade, ninguém precisa mostrar carteirinha pra entrar em lugar nenhum, nem na biblioteca. Nos museus, você paga a entrada e passa pela porta a hora que quiser (isso quando a bilheteria não é dentro da exposição). Ah, e não existem aquelas linhas amarelas pintadas no chão para limitar a distância das obras. No centro de esportes, você entra na quadra onde sua aula está rolando, e pronto.
Isso dá uma sensação inexplicável de que tudo está sempre aberto pra quem quiser conhecer, e que cada um deve estabelecer os seus próprios limites e aplicá-los no dia-a-dia.

Quem vive em cidades enormes sabe o quanto os espaços e atitudes por vezes se confundem e se misturam. Eu tive um pouco dessa dificuldade quando cheguei, com medo de estar sempre ultrapassando algum limite que eu não sabia qual era. Depois de algumas semanas, entendi que não há um inspetor em todos os lugares apontando o que devo ou não devo fazer, o que vai me gerar uma multa, o que atrapalha o trabalho alheio ou pode estragar um patrimônio… Pelo contrário, aprendi que o meu bom senso é quem deve estabelecer até onde eu vou sem invadir o espaço alheio. Isso é um exercício eterno que parece muito chato e difícil. Mas esse aprendizado diário de como conviver com o desconhecido me deixa cada vez mais leve e à vontade pra explorar esse novo espaço…

Tô aqui Brasil!

20 de outubro de 2011

Comecei. Agora é só esperar um pouquinho que eu vou escrever tudo o que me der na telha. Afinal, é meu mesmo! hahaha

Küsse